sexta-feira, 20 de abril de 2012

PARQUE DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Crianças do Programa Prosseguir do HOL visitam o Parque Ambiental do Utinga

ASCOM
A aula teve como objetivo proporcionar para os alunos da classe uma abordagem multidisciplinar sobre a questão ambiental
ASCOM
Professores, médicos, instrutores e técnicos de enfermagem deram apoio às crianças do Prosseguir no HOL durante o passeio ao Parque Ambiental

    Da Redação
    Agência Pará de Notícias
    Atualizado em 17/04/2012 às 16:03


    A classe Hospitalar do Programa Prosseguir do Hospital Ophir Loyola participou, nesta terça-feira, 17, de uma aula-passeio no Parque de Preservação Ambiental de Belém, no bairro do Utinga. Cerca de dez crianças e quinze profissionais, entre professores, médicos, instrutores e técnicos de Enfermagem, integraram o grupo.
    Maria Helena Meireles, 29, que acompanha a filha, Ana Beatriz, em tratamento há um ano e quatro meses no HOL contra um linfoma, aprovou a atividade. "É muito importante ter um momento para que as crianças saiam da rotina do Hospital, que é muito difícil. Aprender ao mesmo tempo em que se divertem é muito interessante", afirma.
    O parque é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, criada para a preservação e conservação dos recursos naturais e, principalmente, para proteger os mananciais dos Lagos Bolonha e Água Preta, que são responsáveis pelo abastecimento de mais de 60% da população da Região Metropolitana de Belém. A aula teve como objetivo proporcionar para os alunos da classe uma abordagem multidisciplinar sobre a questão ambiental. Aspectos como recursos naturais esgotáveis, poluição, saneamento básico, fauna, flora, noções de espaço foram abordados pelos professores e instrutores durante o passeio.
    Segundo a coordenadora do Programa Prosseguir no HOL, Angela Barbosa, esta ação traz uma proposta de interdisciplinaridade. "É importante mostrar que o mesmo tema tem vários aspectos, que serão abordados de forma diferente pelos professores de cada uma das disciplinas reunidas aqui. O que queremos é observar a relação dos alunos com elas", explica.
    O Programa Prosseguir foi criado no Hospital Ophir Loyola em 2003, em parceria com a Secretaria Executiva de Educação (Seduc), e em 2009 se estendeu para outros hospitais de Belém, tendo como objetivo assegurar às crianças e adolescentes em tratamento clínico e cirúrgico o direito à educação, continuidade do processo ensino-aprendizagem e reintegração ao grupo escolar. Ele proporciona condições para o resgate da autoestima das crianças e adolescentes, minimiza suas perdas sociais, psicológicas e cognitivas e integra paciente, família e escola.

    Texto:
    Livia Soares - Ofir Loyola
    Fone: (91) 3342 1325 / null
    Email: ascom.hol@hotmail.com

    DESAFIO DA CLASSE HOSPITALAR

    CLASSE HOSPITALAR NO MUNDO: UM DESAFIO À INFÂNCIA EM SOFRIMENTO


    Sandra Maia Farias Vasconcelos

    Universidade Estadual do Ceará

     

    Introdução

    O hospital é por natureza um lugar que causa temor, por ser o encontro da vida com a morte. De extrema abertura nos antigos tempos, aos mais rigorosos e fechados ambientes de há pouco, o hospital passa hoje por um processo de abertura no que concerne ao tratamento humanizado aos pacientes. Segundo BERTHET (1983), a saúde comporta três noções essenciais: 1) a saúde é o equilíbrio e a harmonia de todas as possibilidades da pessoa humana, biológicas, psicológicas e sociais. O que exige por um lado, a satisfação das necessidades do homem e por outro lado o questionamento da adaptação constante do homem a um ambiente em perpétua mutação. 2) a saúde no plano individual é a plenitude de vida, o equilíbrio qualitativo, a harmonia total da pessoa humana, com o objetivo de enriquecer cada um de seus dons, ou seja, cada ser humano busca encontrar em sua existência o meio de desenvolver todas as suas possibilidades. À noção de saúde individual devem ser somadas às de saúde familiar e de saúde comunitária. 3) a saúde supõe a existência de uma força potencial de reserva que permite ao organismo de resistir aos choques físicos e psíquicos quotidianos. Essa força potencial que podemos chamar resiliência é em parte devida a nossa herança genética, e em parte adquirida ao longo da vida pela aplicação de regras elementares de uma vida sadia.
    Graças à humanização, aceita-se com facilidade hoje a necessidade de incluírem-se outros profissionais além do corpo médico no meio hospitalar, transformando-o em um contexto afetivo, e de reintroduzir a emoção no funcionamento cognitivo. A afetividade é uma dimensão de nosso pensamento tão essencial quanto o pensamento. Os médicos costumam dizer que quando o corpo cala, os órgãos falam. A afetividade nos constitui, ela se identifica com nosso próprio pensar e nos identifica como pessoas. Amores, paixões, gostos, interesses, rejeições, repulsas, ódios e rancores, tudo isso forma o ser humano e dele é inseparável. Não há distância entre o homem e seus sentimentos.
    O hospital infantil é por excelência um ambiente carregado de emoções. A doença  exclui a criança de seu ambiente, imobilizando-a social e intelectualmente. Junto ao fato de estar excluída de seu ambiente, de estar doente e ser diferente de seus colegas de escola, aparece com freqüência uma queda da auto-estima. A criança atingida por doença de tratamento em longo prazo, vê-se inconcebível e contrária à vida: talvez daí derive o silêncio em que freqüentemente se afunda. O diagnóstico de uma doença grave ou a chegada de uma situação diferente e excluidora, compromete o desenvolvimento psico-intelectual da criança por provocar sensações de confusão entre as noções de continuidade, de ruptura e de plenitude (Snyders,1986)[1].
    Essas crianças sofrem pela doença, pelo distanciamento do ambiente familiar e dos amigos, e de seu ambiente social, a escola. A intervenção pedagógica já é uma realidade no ambiente hospitalar, graças à iniciativa de grupos voluntários e algumas instituições e universidades preocupadas com o afastamento da escola sofrido por crianças e adolescentes enfermos hospitalizados. Em alguns casos de doenças graves, esses jovens passam meses, quem sabe anos, sem freqüentar a escola, longe do processo de escolarização. Assim o jovem abandona a escola e a escola abandona o jovem.
    A classe hospitalar busca recuperar a socialização da criança por um processo de inclusão, dando continuidade a sua aprendizagem. A inclusão social será o resultado do processo educativo e reeducativo. A escola é um fator externo à patologia, logo, é um vínculo que a criança mantém com seu mundo exterior. Se a escola deve ser promotora da saúde, o hospital pode ser mantenedor da escolarização. E escolarização indica criação de hábitos, respeito à rotina; fatores que estimulam a auto-estima e o desenvolvimento da criança e do adolescente.
    O distanciamento do processo de escolarização repercute fortemente no processo de socialização, pois a perda de contato da criança ou adolescente com seus colegas é imediata. Outro fator preponderante na perda de escolarização vem da própria doença, acarretadora de grande sofrimento,  e ainda promovedora do grande dilema do preconceito. As escolas para crianças e adolescentes não informam seus alunos sobre doenças, e logo que um colega é acometido de uma enfermidade grave, os pares não estão preparados para prover um apoio. Não raro acontece o pior: o afastamento dos colegas sadios e o isolamento do colega doente. Muitos pais de crianças sadias se sentem incomodados com o contato do filho com um colega atingido por câncer ou Aids, por exemplo. A deficiência física e mental também é um obstáculo para muitas famílias sadias. Na maior parte das vezes, segundo depoimentos de professores hospitalares, esse preconceito se deve à desinformação dos pais.

    O principal objetivo da classe hospitalar é, assim, fazer um acompanhamento pedagógico a crianças e jovens com dificuldades graves de saúde física ou mental e que estão definitiva ou temporariamente impedidos de freqüentar a escola regular. Não se trata de Educação Especial. É a Educação Escolar ordinária, aquela que nutre o sujeito de informações sobre o mundo dentro do currículo escolar definido pela educação nacional. Marca-se como diferença entre a classe hospitalar e a classe especial o fato de que a segregação das crianças não se deve à rejeição por outras classes, mas à doença que as impede de ir à escola. Longe de rejeitá-los, a escola vai até eles, no hospital.

    A Classe Hospitalar tem seu início em 1935, quando Henri Sellier inaugura a primeira escola para crianças inadaptadas, nos arredores de Paris. Seu exemplo foi seguido na Alemanha, em toda a França, na Europa e nos Estados Unidos, com o objetivo de suprir as dificuldades escolares de crianças tuberculosas. Pode-se considerar como marco decisório das escolas em hospital a Segunda Guerra Mundial. O grande número de crianças e adolescentes atingidos, mutilados e impossibilitados de ir à escola, fez criar um engajamento sobretudo dos médicos, que hoje são defensores da escola em seu serviço.

    Em 1939 é Criado o C.N.E.F.E.I. – Centro Nacional de Estudos e de Formação para a Infância Inadaptada de Suresnes, tendo como objetivo formação de professores para o trabalho em institutos especiais e em hospitais. Em 1939 é criado o Cargo de Professor Hospitalar junto ao Ministério da Educação na França.

    O C.N.E.F.E.I. tem como missão até hoje mostrar que a escola não é um espaço fechado. O centro promove estágios em regime de internato dirigido a professores e diretores de escolas; a médicos de saúde escolar e a assistentes sociais.

    Dentre os objetivos da Classe Hospitalar está a possibilidade de compensar faltas e devolver um pouco de normalidade à maneira de viver da criança. O professor hospitalar será o tutor global da criança para que ela possa ser tratada de seu problema de doença, sem esquecer as necessidades pessoais. A intervenção faz com que a criança mantenha rastros que a ajudem a recuperar seu caminho e garantir o reconhecimento de sua identidade. O contato com sua escolarização faz do hospital uma agência educacional para a criança hospitalizada desenvolver atividades que a ajudem a construir um percurso cognitivo, emocional e social para manter uma ligação com  a vida familiar e a realidade no hospital.

    Em termos de estratégias de crescimento cognitivo e intelectual, a Classe Hospitalar vem oferecer à criança ferramentas de comunicação com sua realidade familiar, com outras pessoas de sua idade e com outros pacientes; oferecer situações de jogos e entretenimentos; garantir a continuidade didática com a escola de origem além de ajudar a criança e a família a apreender os novos ritmos e os novos projetos, quando o projeto de antes tornou-se impossível.

    A Formação de Professores para atendimento escolar hospitalar no CNEFEI tem duração de dois anos. Desde 1939, o C.N.E.F.E.I. ja formou 1.000 professores para as classes hospitalares, cerca de 30 professores a cada turma. A cada ano ingressam 15 novos professores no Centro. Isso faz com que hoje todos os hospitais públicos na França têm em seu quadro 4 professores: dois de ensino fundamental e dois de ensino médio. Cada dupla trabalha em expedientes diferentes, de segunda a sexta.

    No Brasil, a legislação  reconheceu por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente Hospitalizado, através da Resolução nº 41 de outubro de 1995, no item 9, o “Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar”.

    Em 2002 o Ministério da Educação, por meio de sua Secretaria de Educação Especial, elaborou um documento de estratégias e orientações para o atendimento nas classes hospitalares, assegurando o acesso à educação básica. De acordo com esse documento, a educação tem potência para reconstituir a integralidade e a humanização nas práticas de atenção à saúde; para efetivar e defender a autodeterminação das crianças diante do cuidado; para propor um outro tipo de acolhimento das famílias nos hospitais, inserindo a sua participação como uma interação de aposta no crescimento das crianças; para entabular uma educação do olhar e da escuta na equipe de saúde mais significativa à afirmação da vida.

    A classe hospitalar constitui uma necessidade para o hospital. A criação de classes hospitalares é uma questão social e deve ser vista com a mesma seriedade e o mesmo engajamento que a promoção da segurança nas ruas. A classe hospitalar se dirige às crianças, mas deve se estender às famílias, sobretudo àquelas que não acham pertinente falar sobre doenças com seus filhos. A intenção grandiosa nesse projeto deve ser a humanização do hospital para o contato com as possibilidades da criança vítima de algum tipo de patologia.
    O professor hospitalar deve ter a consciência dos monstros viventes na mente das crianças: o medo, o controle, a mudança e a incerteza. No hospital, tudo é incerteza para a criança: tiram-lhe as roupas, ela se vê igual às outras, sua mãe acompanhante se torna igual às outras mães, a criança ignora o que vai fazer, comer, quem vai vê-la etc. Portanto, consciente dessa nova situação, a intervenção escolar deve se tornar parte dessa rotina, com muita ética. E ser ético é ser humano, é respeitar limites, é resgatar o lado saudável da criança, é dar-lhe singularidade. O interventor pedagógico deve ser um oportunizador da aprendizagem que, longe das paredes da escola, forma escola no momento do contato. O número de classes hospitalares no Brasil é ainda tímido se considerarmos a imensidão do país; mas já é um começo bastante otimista. A classe hospitalar é um direito de toda criança, mas a experiência pode se estender a adultos e à terceira idade.






    [1] SNYDERS,G. La joie à l’école. Paris: PUF, 1986.

    domingo, 15 de abril de 2012

    HISTÓRICO DAS CLASSES HOSPITALARES

    HISTÓRICO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR- ( Neusa Amorim) Em conseqüência da segunda Guerra Mundial, inúmeras crianças e adolescentes em idade escolar, foram mutiladas e feridas, o que motivou a permanência delas em hospitais por longos períodos. Diante dessa realidade surge então, segundo Esteves (2008), a classe hospitalar em 1935 em Paris, criada por Henri Sellier, Prefeito de Suresnes, no intuito de tentar amenizar as tristes conseqüências da guerra e que oportunizasse a essas crianças, enquanto alunas, de prosseguir em seus estudos ali mesmo no hospital. E assim com incentivo de médicos, religiosos e voluntários, a classe hospitalar foi conquistando um espaço na sociedade, sendo difundida para vários países, entre os quais pode-se citar a Alemanha e os Estados Unidos que aderiram à criação de Classe hospitalar com o objetivo de beneficiar crianças tuberculosas que na época eram isoladas do convívio social e impossibilitadas de frequentar a escola. No ano de 1939, segundo Esteves (2008), foi criado em Suresnes, na França, o C.N.E.F.E.I. - Centro Nacional de Estudos e de Formação para a Infância Inadaptadas com o objetivo de formar professores para exercer a Pedagogia hospitalar em institutos especiais e em hospitais, já que para atuar nessa área exige-se uma formação diferenciada da pedagogia formal. Ainda no ano de 1939, foi criado também o cargo de Professor Hospitalar, junto ao Ministério de Educação da França. As preocupações com as crianças hospitalizadas são de longínqua data. Em 1922 foi elaborado pelo colégio médico do Chile o primeiro decálogo dos direitos da criança hospitalizada. No Continente Europeu, segundo Bringiotti (2000, p.31), "[...] Em 13 de maio de 1986 surge a Carta Européia dos Direitos das Crianças Hospitalizadas.", documento este publicado pelo diário oficial das Comunidades Européias e que inspirou vários outros documentos em diversos lugares do mundo. Portugal, por exemplo, que também estivera preocupado com as crianças e adolescentes hospitalizados tendo em vista a continuidade dos estudos, adaptou a Carta da Criança Hospitalizada, cujo Art. 7º sugere que: "O hospital deve oferecer às crianças um ambiente que corresponda às suas necessidades físicas, afetivas e educativas, quer no aspecto do equipamento, quer no de pessoal e da segurança" (Mota, 2000, p. 58). Entende-se assim, que mesmo estando hospitalizada e impossibilitada de freqüentar a escola convencional, a criança deve continuar a ser estimulada na área educativa e ser construído o seu retorno com sucesso à escola regular. De acordo com Paula, (2003, p.21), "[...] na Espanha, desde a década de 80, vem se expandindo a educação nos hospitais como modalidade de atendimento educacional. Em muitos países já percebem a necessidade da atuação do pedagogo em hospitais", pois uma vez que o paciente encontra-se em fase de formação como também em idade escolar, torna-se evidente a necessidade de um pedagogo que o acompanhe nos demais aspectos, como educativo, social e afetivo. No Brasil, a Classe Hospitalar, surgiu na cidade do Rio de Janeiro em agosto de 1950, no Hospital Menino Jesus, na qual permanece atuando com a modalidade de atendimento educacional até nos dias de hoje. Este trabalho, segundo Fonseca (2000, p. 29) teve inicio com a professora Lecy Rittmeyer, por meio da Portaria n. 634. Ainda na década de 50, surgiu a primeira classe hospitalar em São Paulo no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Estes primeiros atendimentos pedagógicos hospitalares não dispunham de uma sala ou espaço específico, por isso, era realizado na própria enfermaria do Hospital. Fonseca (1999, p.119), ao mencionar o trabalho da classe hospitalar no hospital Menino Jesus no Rio de Janeiro, diz que: "Naquele ano o hospital possuía cerca de 200 leitos e uma média de 80 crianças em idade escolar". Em 1960, dez anos após o inicio deste trabalho o número de professores era de apenas quatro sendo que na ocasião ainda não possuía nenhum vínculo com a Secretaria de Educação do Estado. No ano de 1974 o Hospital contava com quatro salas de aula da classe hospitalar. Desde então o atendimento pedagógico hospitalar vem crescendo, mas de forma tímida. No Hospital das Clínicas em São Paulo, segundo a pesquisadora Lima (2003): Os primeiros passos da Classe Hospitalar foram dados em meados de 1970, com a iniciativa da assistente social Silvana Mariniello. [...] Silvana Mariniello apresentou ao Ministério da Educação diversos projetos para a regularização da Classe Hospitalar, sem obter sucesso. Somente em 1997, o Serviço Social de Assistência a Pacientes Internados e o Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina entraram com um pedido na Secretaria de Educação para a criação do Projeto Classe Hospitalar nos moldes atuais. Essas dificuldades enfrentadas por pioneiras no trabalho educacional hospitalar eram semelhantes em todas as regiões, independente da localidade, o que é muito comum acontecer quando as pessoas trazem algo novo para determinada área. Por certo, a presença dessas professoras e voluntários no ambiente hospitalar era mal vista, criticada e talvez discriminada. No entanto aos poucos, as classes hospitalares ganhava espaço no Hospital. No dia 15 de outubro de 1987 foi inaugurada a escola Schwester Heine, instalada na ala pediátrica do Hospital do Câncer A.C. Camargo, situado no Bairro da Liberdade em São Paulo, através de um convênio com a prefeitura. A escola recebeu este nome em homenagem a enfermeira alemã Heine, da Cruz Vermelha na década de 40, que conscientizava seus pacientes sobre a importância da educação. Segundo a pesquisa de Fonseca (1999, 117,118) do ano de 1950 até 1980 existia apenas 1 classe hospitalar no Brasil. Sendo que de 1981 a 1990, passou a existir 8 classes, porém de 1991 a 1998, este número aumentou para 30 classes hospitalares, talvez em conseqüência do E. C. A. - Estatuto da Criança e Adolescente - oficializado na década de 90. No ano de 2000, eram 67 classes, no entanto, números mais recentes, divulgados pelo Censo Escolar de 2006 do Ministério da Educação, em parceria, com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira ? INEP revelam um total de 279 classes hospitalares públicas no Brasil, sendo 160 destas Estaduais e 119 Municipais, as quais estão distribuídas pelo território nacional da seguinte forma: a) 18 na região Norte; b) 38 na região Nordeste; c) 143 na região Sudeste; d) 38 na região Sul e) 42 na região Centro-Oeste. Ao levar-se em consideração o tamanho do Brasil e o número de hospitais que nele há, estima-se que o número de classes hospitalares seja uma quantidade muito inferior, de modo que o atendimento educacional de crianças e adolescentes hospitalizados não tem recebido a devida atenção por parte das políticas públicas, daí pode-se afirmar que ainda há um árduo caminho pela frente. Para citar este trabalho: AMORIM, Neusa da Silva. A PEDAGOGIA HOSPITALAR ENQUANTO PRÁTICA INCLUSIVA. Porto Velho, 2011. disponível em: Para conhecer este trabalho na íntegra ou outras obras da autora envie email para: neu.amorim@hotmail.com

    Humanização

    SER FELIZ

    A Idade de Ser Feliz

    Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
    somente uma época na vida de cada pessoa
    em que é possível sonhar e fazer planos
    e ter energia bastante para realizá-las
    a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

    Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
    e desfrutar tudo com toda intensidade
    sem medo, nem culpa de sentir prazer.

    Fase dourada em que a gente pode criar
    e recriar a vida,
    a nossa própria imagem e semelhança
    e vestir-se com todas as cores
    e experimentar todos os sabores
    e entregar-se a todos os amores
    sem preconceito nem pudor.

    Tempo de entusiasmo e coragem
    em que todo o desafio é mais um convite à luta
    que a gente enfrenta com toda disposição
    de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
    e quantas vezes for preciso.

    Essa idade tão fugaz na vida da gente
    chama-se PRESENTE
    e tem a duração do instante que passa.